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Keynote speaker do Celebra, Gustavo Franco defende SUS com lógica empresarial

Doutor pela Universidade de Harvard, onde estudou a hiperinflação sofrida nos anos 1920 pela Alemanha, Polônia, Áustria e Hungria, Gustavo Franco será o keynote speaker do Celebra – o evento de encerramento do ano do mercado de saúde. O tema de sua palestra será “O cenário da economia e a política no Brasil pós-eleição”. Nessa entrevista exclusiva para a equipe do Celebra, ele fala do SUS, da ascensão do pensamento liberal e de sua expectativa para o encontro, que vai reunir acionistas, presidentes e CEOs das principais fontes pagadoras e prestadores da saúde brasileira, além de sociedades médicas. O Celebra acontece dia 13 de dezembro de 2018, no Hotel Unique, São Paulo.

Por Joana Rizério

O senhor já afirmou que o Brasil tem chances de eleger um candidato afeito a reformas e privatizações nestas eleições, afastando, pela primeira vez em anos, a esquerda das urnas. O que faz os eleitores de hoje flertarem com o liberalismo?
Os últimos anos foram pedagógicos. O estrondoso fracasso macroeconômico de Dilma Rousseff e sua Nova Matriz desmoralizou seriamente a heterodoxia econômica, uma criatura que ressurgiu das cinzas ao redor de 2011/12 e ocasionou a pior recessão da história do país. Como se não bastasse, na tentativa de reinventar o capitalismo, começando pela Petrobras, a presidente quase quebrou a empresa no âmbito do que se conhece como o “Petrolão”. Esses fracassos abriram uma janela preciosa para o pensamento liberal. Subitamente, ficou muito fácil de explicar a ideia de “menos estado”.

O mercado de saúde suplementar vive uma crise orgânica, com custos cada vez mais crescentes e recursos escassos. É possível encontrar soluções de benchmarking em outros setores da economia para resolver este descompasso?
É significativo que as considerações econômicas sejam, afinal, levadas a sério quando se trata do setor de saúde. Entendo o que diz a ministra Carmen Lúcia ao repetir o bordão “saúde não é mercadoria”, mas não é bem assim. A escassez não pode ser revogada por nenhum magistrado, tampouco as leis econômicas. A crise do setor me parece mais uma crise conceitual muito nossa, e a dinâmica se assemelha à da previdência, o mais óbvio benchmark de comparação.

Além da previdência, o senhor incluiu o SUS como um dos desafios para o equilíbrio das contas públicas. O Sistema Único de Saúde é um mau negócio para o país?
A analogia com a previdência me parece muito útil, pois o SUS funcionaria como o primeiro pilar universal do sistema, um tanto como o INSS. Em ambos os casos, a escassez impõe limites óbvios à ambição dos políticos e legisladores, que precisam se acostumar com ideia da previdência e da saúde suplementar como pilares essenciais do sistema e cujo funcionamento possui uma lógica empresarial. Na verdade, a única forma eficiente de o sistema funcionar num ambiente de recursos limitados é obedecendo a uma lógica empresarial.

Mesmo com a inflação sob controle e com a implementação do teto dos gastos públicos, a economia não voltou a crescer. Isso já era previsto?
Creio que não. O teto e a política monetária foram elementos importantes de um programa que acabou executado apenas em parte. Faltaram outros elementos para compor um quadro mais favorável para o crescimento, e o colapso político do governo Temer acabou colocando quase tudo a perder.

O senhor acha que as conquistas do Plano Real correm riscos, a depender de quem seja o próximo presidente eleito?
É claro que sim. As ideias erradas em economia nunca morrem, por mais que tenham sido derrotadas no capítulo anterior. O populismo reaparece com os mais variados disfarces e a vigarice econômica, sobretudo quando usada para o ganho político de curto prazo, está sempre rondando.

A discussão sobre a independência do Banco Central saiu da pauta do debate econômico. O senhor poderia comentar este fato?
Saiu por que não era urgente. Temos um paradoxo aqui; quando o BC funciona bem, tal qual fosse independente, ficam diminuídos os incentivos para formalizar a independência. Falta pouco: a providência mais importante para a independência é a de dar aos dirigentes do BC a mesma proteção dada aos dirigentes de agências reguladoras, um mandato fixo. Deveria ser simples.

Fernando Henrique Cardoso, quando se tornou presidente, pediu que esquecessem tudo o que dissera como sociólogo. Lula se elegeu com uma proposta antiliberal, mas fez um dos governos mais pró-mercado das últimas décadas. É mais difícil saber hoje o que pensa um presidenciável?
É verdade, e pude testemunhar o que se passou com FHC, um homem inteligente que percebeu que os imperativos que encontrou como presidente não eram os que enxergou na juventude, como sociólogo. Os presidentes devem ter essa capacidade de adaptação, é um dos requisitos para este emprego. Há vários imperativos econômicos diante do próximo presidente, todos na direção de reformas liberais. Vai ser tenso se o Brasil escolher um presidente de esquerda para executar essa missão.

O senhor tem plano de saúde? Acha que o custo-benefício tem valido o investimento?
Claro que tenho, e estou satisfeito. Mas, como qualquer consumidor consciente, estou sempre olhando alternativas e tirando proveito da concorrência.

O senhor vai falar para uma plateia formada pelas principais lideranças empresariais do mercado de saúde suplementar brasileiro. O que eles podem esperar da sua fala?
Sem trocadilhos, absoluta franqueza.